Ser se feliz é estar-se um passo acima da normalidade. Infelizmente, o que marca um dia-a-dia é aquele sentimento de incerteza, de infamiliaridade e de solidão.
Ter certezas de alguma coisa é mais do que se pode pedir, é um risco e acima de tudo um desafio, porque na vida nada é certo, nem a capacidade de abrir os olhos para mais um dia cerrado de Karma e palavras rasgadas. O mundo não passa de um grande balde do lixo de pequenos pedaços de folhas brancas pequenas e frageis, provas rasgadas de que nada mais importa. E não importa. Contemos com o aqui e agora e não com um dia, um mês, um ano, porque não vai chegar o momento certo.
Não existem momentos certos para rir ou para chorar, é quando se atingir o ponto de explosão, o ponto em que as lágrimas rebentam comportas e os olhos da alma se fecham para aquilo que mais queremos na vida e que, aconteça o que acontecer, não chega. Nunca chega.
Ilusões e segredos e manias de mimo não criam humanos nem folhas, criam animais e ceifam-lhes a alma e as lágrimas sentidas, porque isso os enfraquece e os torna vulneraveis aos sacos de puro lixo que voam pelos céus e nunca se sabe onde vão aterrar.
Para aquilo que me interessa, chorar faz sentido todos os dias, porque é assim que os meus dias acabam, perdida e escondida numa frágil muralha de cristal de tento reforçar com tejolo e palavras, mas há sempre uma onda mais forte.