sexta-feira, 23 de julho de 2010

Agora ou nunca

A coisa boa de ficar eternamente sentada em frente a um espelho à procura de novos pormenores, é que se pensa muito sobre o rumo a seguir. E agora por onde vou? Sigo em frente, pela direita ou pela esquerda na encruzilhada do caminho?

Há diferentes caminhos para se chegar a um mesmo sítio: o fim, a única coisa garantida à partida. Aquilo que povoa uma vida é o que nos marca, nos faz crescer e mudar, se possivel todos os dias, mas para que serve toda essa infinita mudança se tudo acaba como começou? Ashes to ashes, dust to dust...
Porquê realmente expandir horizontes e dar voltas infinitas a uma rotunda no centro de uma nada... não faz sentido continuar, e no entanto continua-se, sempre supostamente em frente, mas nun circulo não se avança, só se encontra mais do mesmo.

Partir ou chegar? Crescer ou viver? Antagonismos com exactamente o mesmo significado, pois para se chegar a algum fim, tem que se partir de um principio, um crescer que leva a uma vida, a um olhar rasgado num horizente de inexistente lucidez. Agora ou nunca.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Timetable

Se passar um dia, ou apenas algumas horas presa ao reflexo de um espelho, verei inicialmente pressa, suspiros longos e ásperos de uma crueza condicionada pelo tempo que foge. E os segundos passam, num tic tac frenético de um relogio na parede, os pormenores adensam-se preenchendo o espelho dos meus olhos; camadas de pó largas e desvanecidas saltam da pintura de textura de cêra e cansam-me.

O tempo é o maior inimigo de algo que é suposto ter um significado, um propósito benéfico num mundo coberto de folhas e mentes inflamadas por desejos de algo melhor mas pior. O tempo existe para estar desocupado, para ser uma amálgama de milhões de segundos esquecidos e deitados para tráz das costas de um silêncio inquieto de quem jaz ao sabor da brisa sentado nalgum banco de jardim. O espelho não passa de uma imitação de uma desculpa sincera para arranjar um misto de (des)ocupação, de sensação de tempo aproveitado a conhecer e a procurar verdades visiveis e algumas invisiveis aos olhos de quem não vê.

Esperar que um dia o tempo voe num sem sentido de ponteiros mexidos e loucura é esperar demais.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

ESTE Mundo não me chega

Não sei por onde começar a falar do Mundo, dos seus horrores, dos seus segredos, das suas insignificancias, daquilo que o torna especial...

Este Mundo, na sua total e irrevogavel singularidade esquece-se da sua própria habitabilidade. É um mundo ocupado, preocupado, repleto de manifestações de falsa perfeição. É um mundo mascarado de Morte, com a sua cortina negra e foice afiada, ambas correndo a tapar os olhos de quem procura o caminho para fora de um nevoeiro persistente. É um labirinto de becos sem saída onde um rolo de fio não chega para encontrar a saída.

Chegar a viver uma vida marca qualquer folha, qualquer fénix ou qualquer pessoa - no verdadeiro sentido da palavra - promovendo uma sensação de ambissão desmedida que corrompe a vontade propriamente dita de viver e a transforma numa in(al)cansavel busca pela perfeição.
Vejamos assim, eu era uma folha pequena, branca, imaculada, frágil...perfeita...e ninguém dava pela minha existência. Cresci e fui corrompida por marcas de tinta e anos daquilo que se chama crescimento, e comecei a ter o meu efeito no Mundo: podia ser lida.

As minhas palavras lançavam fogo a outras folhas, perfeitas ou não, o fogo da revolta, o fogo do pensamento. Pensar, simplesmente, descomplicadamente, sem propósito ou objectivo vulgar tornou-me uma folha branca, grande, imaculada, frágil, perfeita; foram as palavras que me tornaram fogo aos olhos dos outros, que me tornaram sede e fardo para quem olhou para mim.

Este Mundo não chegava para o meu tamanho e as minhas palavras, e ainda não chega.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Prólogo

Escrever sobre coisas importantes não faz das palavras realidade; Escrever sobre coisas insignificantes não faz do mundo um lugar melhor...

Escrever é apenas escrever, juntar palavras e formar frases com sentido, gramaticalmente correctas e totalmente desprovidas de qualquer sentido real ou imaginário, mas ESCREVER faz de mim uma pessoa, faz de mim alguém com um lugar definido num mundo apertado e com falta de espaço; Faz de mim o que sou.

Não sou escritora, não conto histórias, não imagino mundos de contos de fadas cheios de felicidade para todo o sempre, sou uma folha. Comecei como uma folha branca, imaculada, pequena, frágil, uma folha tão ou tão pouco perfeita que não atraía a atenção de uma unica pessoa. Aí veio o tempo... passaranm dias e meses e anos, que pareceram séculos, e a folha cresceu. Tornou-se num ente sujo de pedaços de tinta e rabiscos sem significado, uma amálgama de espaços corrompidos por um vento quente e cruel que vinha de Norte.

Era eu essa folha, apesar de não me reconhecer naquilo que me marcava e parecia não desaparecer, era eu.
Queria rasgar-me, queimar-me, reduzir-me a cinzas e renascer delas como uma fénix, imaculada de novo, imune aos meus próprios erros e conclusões falhadas numa vida pequena mas sentida...real.