quarta-feira, 21 de julho de 2010

ESTE Mundo não me chega

Não sei por onde começar a falar do Mundo, dos seus horrores, dos seus segredos, das suas insignificancias, daquilo que o torna especial...

Este Mundo, na sua total e irrevogavel singularidade esquece-se da sua própria habitabilidade. É um mundo ocupado, preocupado, repleto de manifestações de falsa perfeição. É um mundo mascarado de Morte, com a sua cortina negra e foice afiada, ambas correndo a tapar os olhos de quem procura o caminho para fora de um nevoeiro persistente. É um labirinto de becos sem saída onde um rolo de fio não chega para encontrar a saída.

Chegar a viver uma vida marca qualquer folha, qualquer fénix ou qualquer pessoa - no verdadeiro sentido da palavra - promovendo uma sensação de ambissão desmedida que corrompe a vontade propriamente dita de viver e a transforma numa in(al)cansavel busca pela perfeição.
Vejamos assim, eu era uma folha pequena, branca, imaculada, frágil...perfeita...e ninguém dava pela minha existência. Cresci e fui corrompida por marcas de tinta e anos daquilo que se chama crescimento, e comecei a ter o meu efeito no Mundo: podia ser lida.

As minhas palavras lançavam fogo a outras folhas, perfeitas ou não, o fogo da revolta, o fogo do pensamento. Pensar, simplesmente, descomplicadamente, sem propósito ou objectivo vulgar tornou-me uma folha branca, grande, imaculada, frágil, perfeita; foram as palavras que me tornaram fogo aos olhos dos outros, que me tornaram sede e fardo para quem olhou para mim.

Este Mundo não chegava para o meu tamanho e as minhas palavras, e ainda não chega.

1 comentário:

  1. Se teceu elogios ao meu blogue e disse que lhe provocou fascínio, que deverei eu dizer do seu? :D

    Prefiro não elogiar porque senão o sentimento perde-se com as palavras. Limito-me a dar-lhe os parabéns.

    E já agora, um obrigado também ;)

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